sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O VELHO POETA E O BISNETO

O VELHO POETA E O BISNETO

 
 
 
A frase morreu, quando o poeta entristeceu:
O sons acabaram, quando ele, ensurdeceu
A poesia, que era sua amiga, tornou-se distante...
A caneta e o papel sobre a mesa,
Ficaram insignificantes...

Ele já não podia fazer versos, rimas,
Para colocar em seus poemas,
Mal podia se comunicar!
Quase sem voz e sem escutar, deixou-se entregar:
Jazia numa cama, aos seus 92 anos,
Era a hora, de Deus o chamar...

O velho poeta olhou ao redor,
Embora cego de uma vista.
Viu seu bisneto chegar ao lado da cama.
O menino, então com seus oito anos de idade,
Perguntou se o velho poeta, sabia quem ali estava.
Ele respondeu à meia voz, entristecido:
"Não vejo nem escuto direito, mas sei que é meu bisneto querido"...

As lágrimas rolaram
do rosto enrugado pelos anos...
O menino disse em tom de calmaria:
Não chore vovô velho,
Um dia, todo mundo fica assim,
Se não morrer antes...

Fátima Abreu
 
NOTA:
Embora tenha unido a ficção (ele não era poeta, embora fosse da linhagem de escritores da nossa família)à realidade dos fatos, este poema é em homenagem ao meu vovozinho, que desde 1991 não está mais na Terra. O meu filho Felipe, na época foi visitá-lo, e assim ocorreu o diálogo.



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